30 de setembro de 2014

Adoro a minha vida!



Sou feliz e mereço.Vivo tranquilamente com as escolhas feitas no passado e com a rotina do meu presente. A vida tem-me dado muito: filhos e pais saudáveis, trabalho que me realiza e sustenta, amigos fabulosos, interesses vários, cinema, livros e música, que me alimentam a alma, família próxima e fantástica.

Tenho tido o privilégio de conhecer vários países e de me cruzar com imensas pessoas. Descobri vocações várias e cada vez me sinto melhor sendo quem sou. Agradeço a todas as pessoas que comigo se cruzaram e que, bem ou mal, me permitiram evoluir até aqui. Transformei em tranquilidade e sabedoria o que sofri e aprendi com os muitos erros que cometi.

Sou hoje muito melhor profissional para quem me procura fruto das vivências que acumulei. Sou hoje melhor mãe, filha e amiga porque percebi que a família é o nosso maior pilar e os verdadeiros amigos insubstituíveis. Sou mais disponível, mais tolerante, mais compreensiva do  que antes e isso só pode ser positivo. Agradeço à vida tudo o que me deu porque me permite ser feliz.



29 de setembro de 2014

Explicando a intuição feminina

 


"É biologia, não algum poder mágico. Basicamente, por ser responsável pela criação de filhos pequenos, que ainda não podem se comunicar, a mulher vem ‘equipada’ com uma capacidade extra de atenção e dedução – ela precisa saber o que a criança quer sem necessariamente falar com ela. Por isso, moças normalmente têm notas mais altas em testes que avaliam sua comunicação e compreensão não-verbal. E, como essa capacidade vai além das crianças, ela é usada para perceber intenções dos outros no trabalho e em outros relacionamentos pessoais."

Revista Galileu

Ser Feliz


Desafio-os a perderem (ganharem) 15 minutos do vosso tempo a ouvir este brilhante professor, Dr. Clovis de Barros Filho, sobre ser feliz. Inspirador, sem dúvida.





28 de setembro de 2014

Parabéns a nós



Comemoramos hoje mais um aniversário e só posso agradecer o dia em que me cruzei contigo. Tens sido tudo na vida para mim: és  porto seguro quando as tempestades me abalam; és paixão desenfreada e amor tranquilo; és segurança e alegria; és riso e compreensão; és tolerância e conselho; és, no fundo tudo o que desejei quando a vida me atraiçoou. Sou muito mais feliz hoje, contigo, do que alguma vez pensei vir a ser. Obrigada pelo teu Amor.

26 de setembro de 2014

Mau feitio aumenta esperança de vida



 Um estudo alemão revela que expressar os sentimentos negativos aumenta, em pelo menos dois anos, a esperança média de vida.

A investigação envolveu mais de seis mil pessoas e conclui que reprimir as emoções acelera a pulsação e a transpiração o que aumenta as probabilidades de hipertensão,  doenças cardiovasculares, cancro ou probelmas nos rins.
A necessidade de controlo e o comportamento defensivo são os principais fatores que levam algumas pessoas a reprimir o que sentem, explicam os cientistas Marcus Mund e Kristen Mitte ao jornal britânico Daily Mail.
Por outro lado, quem diz o que pensa, e é conhecido por ter mau feitio, corre menos riscos, de acordo com os investigadores.
O estudo foi publicado na Revista da Sociedade Americana de Psicologia.

Vale a pena arriscar

Foto

25 de setembro de 2014

O nosso valor





"Quem ainda deseja esta nota?

Cassan Said Amer conta a história de um palestrante que começou um seminário segurando uma nota de 20 dólares e perguntando:


- Quem deseja essa nota de 20 dólares?

Várias mãos se levantaram, mas o palestrante pediu:

- Antes de entregá-la, preciso fazer algo.

Amassou-a com toda fúria, e insistiu:

- Quem ainda quer esta nota?

As mãos continuaram levantadas.

- E se eu fizer isso?

Atirou-a contra a parede, deixou-a cair no chão, ofendeu-a, pisoteou-a e mais uma vez mostrou a nota – agora imunda e amassada. Repetiu a pergunta, e as mãos continuaram levantadas.

- Vocês não podem jamais esquecer esta cena – comentou o palestrante.

– Não importa o que eu faça com este dinheiro, ele continua sendo uma nota de 20 dólares. Muitas vezes em nossas vidas somos amassados, pisados, maltratados, ofendidos; entretanto, apesar disso, ainda valemos a mesma coisa."

 Não se esqueçam de quem são, do vosso real valor e não se deixem abater com comentários depreciativos e criticas que apenas têm o intuito de vos destruir. Acreditem em vocês, vivam com dignidade e afastem-se das pessoas negativas e que não vos querem bem. Deixem as relações tóxicas e fiquem apenas com quem vos valoriza e vos trata bem, apenas porque merecem.



24 de setembro de 2014

Dieta





Conheci através da Dreia a Catarina e ambas inspiraram-me a iniciar mais uma luta contra os quilos acumulados. Tenho uma grande tendência para engordar e nos últimos anos, fruto do desleixo, de algumas complicações de saúde, mas principalmente por comer mal, fora de horas e por vezes de forma completamente descontrolada, estou uma baleia.

Sempre oscilei entre fases de maior e menor peso e agora atingi o limite. Inspirada nas nossas duas meninas resolvi mudar de atitude e iniciar uma mudança de estilo de vida que espero seja gradual e permanente porque estou farta das dietas ioiô em que emagreço 2 ou 3 kg, com um esforço enorme, e engordo tudo logo de seguida, assim que relaxo um pouco.

Já fiz tudo o que é dieta: do tomate, da cebola, da sopa, , comer só ovos, só leite e maçãs, só fruta e vegetais crus, não comer de todo e saltar refeições... eu sei lá! Tudo o que há e oiço falar tento e o resultado é invariavelmente o mesmo, ou seja, pouco ou nenhum.

Sinto que chegou a hora de mudar, de tomar consciência que só alterando hábitos e rotinas é possível atingir o objectivo a que me proponho, de me motivar e manter a motivação e não desistir. Vamos a isso!




Lake Street Dive - "Stop Your Crying"


Gosto de navegar e procurar música que não conheço e um dia destes esbarrei com este grupo. Gostei do que ouvi.




 


23 de setembro de 2014

Relações a prazo

Não sei o que anda por aí na água, no ar ou se é apenas por ser setembro e regresso de férias mas parece que os casais que conheço estão a passar por uma má fase: é divórcios a decorrer, separações nem sempre pacificas e crises várias, parece que de repente toda a gente foi atacada por infelicidade, paixões mais ou menos fulminantes, frustrações e rancores vários. Não sei que bicho lhes mordeu mas estou rodeada de casais em dificuldades e lembrei-me de  deixar uma dicas sobre como salvar relações porque as relações merecem ser salvas, merecem que nos esforcemos por elas, a família continua a ser um pilar importante e, quando há filhos, é dever dos progenitores tudo fazer para recuperar a harmonia antes de tomarem uma decisão impulsiva para que no futuro não haja traumas e arrependimentos.

Já estou a ouvir uns quantos reclamarem destas minhas palavras e dizerem: " Então, e as pessoas, não merecem ser felizes? Se estão mal ou insatisfeitas não merecem procurar a felicidade noutro lado, com outra pessoa?"

Claro que sim, toda a gente merece ser feliz e se não o são podem e devem mudar e procurar algo que as complete. Apenas alerto para as decisões precipitadas, para os ataques de paixonite aguda, para a fantasia desenfreada porque parece que actualmente as pessoas vivem demasiadamente centradas em si, em relações descartáveis, parece que ninguém quer sofrer ou esforçar-se por trabalhar a dois, em casal, quando as coisas arrefecem. Parece que  ninguém está preparado para as crises que inevitavelmente qualquer relação atravessa. Ninguém se quer sentir frustrado, não há resiliência, não há paciência para a mudança dentro de casa e esquecem-se que quando assumiram determinado compromisso o assumiram para a vida, para os bons e maus momentos, para a saúde e para a doença, para a rotina e o desamor. Sim, porque não se iludam, essas coisas fazem parte das relações, não esperem que seja sempre tudo cor de rosa, que o nível de enamoramento seja elevado e sempre constante e que não apareçam ao virar da esquina coisas (leia-se pessoas) que à primeira vista parecem melhores. É  a velha história da galinha da vizinha ser melhor que a minha. Corre-se atrás de ilusões, de fantasias, de idealizações e esquece-se da família, esquecem-se os projectos que a dado momento se quis construir com alguém que se escolheu, há alguns anos atrás, para companhia desta aventura que é a vida.

Quando uma relação acaba nunca é fácil para ninguém. Não é fácil para quem decide acabar nem para o outro, aquele que não decidiu nada e se viu perante uma decisão final e, de certeza, não é de todo fácil para os filhos, tenham eles a idade que tiverem. Parece que vivemos todos na era das relações a prazo. Queremos estar apaixonados mas não nos queremos esforçar para que isso aconteça sempre pela mesma pessoa, não queremos ter trabalho porque lá está, isso dá trabalho e há ainda a ideia de que a paixão e o amor não devem ser forçados, que para serem verdadeiros têm de surgir de forma espontânea.Que podemos, então fazer, quando há crise no casamento?

 1- Comuniquem - sem comunicação não é possível evoluir.
 Falem com o vosso parceiro sobre o que sentem, o que querem, quais as expectativas que tinham e que saíram goradas, os medos, as diferenças. Embora compreenda que há momentos na vida em que se possam sentir tão assoberbados, tão cheios de pensamentos negativos, tão sozinhos e perdidos que o que menos querem é comunicar, é importante dizer ao outro o que sentem, é importante a verbalização. Acredito que, devagarinho, se se disponibilizarem a isso, é possível fazê-lo e vão conseguir, assim ambos o desejem. Se recorrerem a ajuda especializada esse processo é mais orientado e mais rápido mas se o fizerem sozinhos também é possível. Saibam que a verbalização é uma forma de organização de ideias, que são os pensamentos que orientam as emoções e não o inverso. Por isso, se se disponibilizarem a comunicar vão aos poucos perceber que se estão a organizar interiormente e essa organização irá reflectir-se no exterior. O outro precisa desses dados para saber o que deve fazer, como deve estar, o que é esperado dele e, dessa forma, poderá, mais facilmente, ir ao vosso encontro.

2-Façam uma lista do que falhou
É importante que analisem, primeiro separadamente e depois em conjunto, o que está mal. Escrevam uma lista daquilo que mudou, daquilo que não querem que se mantenha igual, do que esperam do companheiro e da relação, que querem no futuro. Se chegaram onde chegaram, provavelmente esqueceram-se de comunicar o que estava mal e chegou agora a hora de se empenharem a fundo nessa tarefa. Perdoem-se e perdoem o outro por não ser perfeito. Não tenham medo de magoar o outro. Não é necessário ser rude ou agressivo, apenas verdadeiro. O outro irá compreender a necessidade do que estão a fazer. Não sejam criticos, não acusem, não julguem, não guardem segredos, sejam honestos, e claros. Não falem com rodeios, não sejam vagos, sejam assertivos Tentem concretizar os vossos pontos de vista com exemplos praticos.É natural que algumas coisas que vão dizer ou ouvir, magoem, mas saibam que é do caos que nasce a ordem. Depois analisem as vossas listas em conjunto. Só percebendo muito bem o que está mal é possivel corrigir e avançar na relação.

3- Percebam bem o que querem
Reflictam sobre os vossos objectivos de vida, as vossas expectativas, em que mudaram, em que é que o outro mudou, que caminhos estão a trilhar e se há ou não possibilidade de esses caminhos individuais se transformarem de novo num caminho de casal.

4- Percebam o que aprenderam com os erros cometidos e como os podem corrigir.
Só assim serão capazes de não os repetir. Não é mau errar, mau é  não aprender com o erro, não tirar conclusões, não tomar consciência da  responsabilidade de cada um. Se aprenderem com os erros, vão crescer, amadurecer.

Todas as relações sofrem desgastes e contratempos, aprendam a trabalhar em conjunto para os ultrapassar e sairão mais fortes e com uma relação mais sólida.

22 de setembro de 2014

A nossa amiga serotonina


 Em sequência do post anterior em que divulguei o trabalho da associação norueguesa Aktiv que defende a inclusão do exercício físico no tratamento dos cancros em todo mundo, hoje parece-me adequado reflectir um pouco sobre esta posição da Aktiv.

Como todos sabem, os doentes de cancro sofrem ataques à sua auto estima e imagem corporal, principalmente quando falamos de mulheres mastectomizadas ( a quem foram retiradas uma ou as duas mamas), doentes com cancro na cara e pescoço (pela exposição inerente) e todos os doentes sujeitos a quimioterapia. Durante a doença há uma série de factores: perda de peso, diminuição do sistema imunitário, fragilidade emocional, perda de energia, frustração perante algo que não controlam, impotência e consciência da própria mortalidade que contribuem para que estes doentes tenham vergonha de si e do seu corpo e não aceitem a própria sexualidade por se sentirem incompletos e doentes. Apresentam normalmente baixos índices de auto estima e confiança, elevada infelicidade e precisam urgentemente de algo que contrarie o pensamento da doença para a saúde porque a felicidade e o bem estar são importantes na prevenção e promoção da saúde física e mental.

Sabemos que as emoções negativas:  pessimismo, infelicidade, angústia, desespero, tristeza, irritabilidade, agressividade, estão relacionadas com o aumento de doenças cardiovasculares e depressão, estando a depressão por sua vez associada  à dor, perturbação do sono e do comportamento alimentar, doenças auto imunes e cancro.
Pelo contrário, os pensamentos positivos: optimismo, alegria, resiliência e felicidade ajudam não só na prevenção da saúde mas também durante o tratamento, aumentando as probabilidades de cura. Todos nós conhecemos alguém que face às adversidades da vida reage lutando e com um optimismo que nos espanta e verificamos que essas pessoas são muito mais capazes e resistentes do que as outras, as que passam a vida a queixar-se e a lamentar-se de tudo e que vêm tudo negro, nunca percepcionando a luz ao fundo do túnel. Para vencer a batalha é importante acreditar que se consegue e não estar já derrotado à partida.

Sendo o cancro influenciado por factores emocionais, ambientais, alimentares, de estilo de vida e psicológicos, se a pessoa for pessimista, estiver deprimida, angustiada ou stressada, não estrá a contribuir para a cura mas sim para o agravamento da doença porque a saúde depende, em grande medida, do sistema imunológico e este da serotonina que em estados negativos não é produzida.

Mas então, o que é isso da serotonina? A serotonina é um neurotransmissor que em conjunto com a dopamina nos dá a sensação de felicidade, bem estar e prazer. Actua no cérebro e regula o humor, o sono, apetite, ritmo cardíaco, temperatura corporal, sensibilidade à dor, movimentos e funções intelectuais. Quando existe em baixa concentração leva ao mau humor, dificuldade para dormir e vontade de comer compulsivamente. Há muitas causas para a  sua diminuição mas o que nos interessa é saber como a podemos aumentar e isso consegue-se através do exercício físico, exposição à luz solar, principalmente no inverno, e consumo de alimentos ricos em triptofano,

Alguns alimentos ricos em triptofano, que servem para aumentar a taxa de serotonina no organismo, são:
  • Chocolate preto
  • Vinho tinto
  • Banana
  • Abacaxi
  • Tomate
  • Carnes magras
  • Leite e seus derivados
  • Cereais integrais
  • Castanha do Pará
Alimentos como estes devem ser consumidos diariamente, em pequenas porções, várias vezes ao dia e o exercício físico incluído na rotina diária  porque isso irá facilitar a produção de serotonina o que por sua vez levará à sensação de bem estar e felicidade.

Portanto, para termos mais saúde e vivermos mais felizes, é preciso lutarmos contra os pensamentos negativos e adoptar uma postura de vida mais saudável porque nenhum organismo aguenta muito tempo as agressões a que os submetemos sem adoecer. É preciso conservarmos a vitalidade e despertar o amor à vida, às relações e às pessoas.
 

19 de setembro de 2014

Mulheres norueguesas com cancro gravam videoclipe mais sexy de sempre

 

 Aktiv mot Kreft é uma associação norueguesa que defende a integração da actividade física no tratamento do cancro. Para divulgar a prática do exercício físico juntou vários doentes com cancro e gravou uma réplica do conhecido videoclipe da música "Call on me". Aí as doentes assumem as marcas da doença, não escondem fragilidades e cicatrizes e é bem visível a auto confiança que possuem. Acho a ideia fantástica e o resultado absolutamente extraordinário. Vale a pena ver, sem dúvida.



18 de setembro de 2014

Dia cheio

 

 Levantar às sete, como de costume, preparar o pequeno almoço e levar o Miguel à escola para estar logo na abertura do banco, às 8.30, uma hora a tratar de burocracias, a que se seguiu mais uma hora de espera no centro de saúde para tentar marcar uma consulta, sem médico, já que fiquei sem médico de família há dois meses, desde que se reformou a minha querida Dra. Margarida. Não há substituto, não há consultas, não há previsões e isto dito presencialmente, depois da tal hora de espera porque ao telefone foi impossível obter a informação depois de mais de 20 dias a tentar diariamente. Seguiu-se uma pausa para tomar o pequeno almoço com o meu filho grande. É tão bom podermos dedicar um tempo a sós a cada um dos filhos. É tão bom quando isso acontece com o Bruno.Temos sempre mil e um assuntos para partilhar, temos beijinhos e festas, (já anteriormente aqui disse que este é de todos o meu filho mais físico, que precisa de mais  toque e minhi minhices), temos tempo para tomar decisões, temos tempo para rir e viver ... é mesmo bom e agradeço cada momento que tenho oportunidade de passar a sós com ele, numa espécie de namoro entre mãe e filho, que só quem é mãe compreende.
E ala para o trabalho que se faz tarde. Tempo para despachar uns emails e assinar alguns papéis e logo de seguida duas reuniões chatas e intensas. Ao aproximar-se a hora de almoço, verifico que tenho apenas 20 minutos para comer qualquer coisa antes de seguir para o tribunal. Corro para junto do maridão para comer uma sandes e beber um café e aproveitar para dois dedos de conversa rápida. Tarde em tribunal como testemunha de um loooongo e extenuante julgamento. Mais espera e burocracias porque ninguém sabe nada no Palácio da Justiça. A vara atribuída já não existe, o juízo cível também não, era no 6º piso, passou para o 3º e afinal está no 5º. Andamos para cima e para baixo de elevador, perguntando a cada ser que encontramos o que devemos fazer. E devo referir que foram pouquissimas as pessoas com que nos cruzámos, parece um edifício fantasma, aquele do Palácio. Ás tantas, temos os dois advogados, as duas partes e respectivas testemunhas, toda a gente já em amena cavaqueira, tentando em conjunto perceber onde parar. É absolutamente incrível como está a funcionar  esta reforma da nossa  pseudo justiça. Saí eram já 19 horas e pelo meio ainda tive de recorrer ao apoio da avó para ir buscar o Miguel à escola. Bendita sejas, minha mãe, não sei que faria sem ti! Chegada a casa é hora de verificar os trabalhos de casa do piqueno e pensar o jantar. Aqui descambei. Estava tão, mas tão cansada, exausta mesmo, emocionalmente desgastada e não me apeteceu cozinhar. Vai daí, sai frango assado da churrasqueira da esquina e está feito. Pelo meio ainda atendi dezenas de telefonemas, tentei tranquilizar uma amiga em crise, dei um abraço a outra e atendi dois doentes com problemas. Para acabar em beleza, o Sporting deixa-se empatar no último minuto. Que dia! Só de o descrever já me cansei, imaginem agora o que foi vivê-lo. Não é que não goste de ter o dia preenchido mas dispenso bem as burocracias, os empregados mal dispostos e sem paciência, as esperas improdutivas, as reformas que não levam a lado nenhum, pessoas mal criadas, mais esperas e burocracias e o desgaste emocional de situações verdadeiramente stressantes e desnecessárias. Salvou-se o pequeno almoço. Obrigada Bruno, salvaste o meu dia!

16 de setembro de 2014

Miguel no seu melhor





Depois de uma troca de palavras mais exaltadas sentei-me a conversar com o Miguel para lhe explicar calmamente o meu ponto de vista. Senti que me tinha feito entender mas da parte dele não houve qualquer reação especial. Tomou banho, jantámos, tratou do dossier novo e da papelada que tinha trazido da escola, escreveu o horário, organizou a pasta com os livros para a escola, leu um pouco, lavou os dentes, deitei-o com o beijo de boas noites e fechei a luz e a porta. Meia hora depois sinto-o levantado e pergunto-lhe o que anda a fazer em pé. Responde que quer falar comigo e pega-me na mão puxando-me para o quarto. Senta-se na cama à minha frente e diz " quero pedir-te desculpa pela forma como te tratei há pouco,... não me sinto bem,... não consigo dormir,...não quero magoar-te... desculpa!"
Há coisa melhor do que o abraço de um filho?

Futebol

 

Mais um regresso, desta vez ao futebol e não pensem que é só jogo, a preparação física e os alongamentos também fazem parte. Dormiu que nem um anjo.

15 de setembro de 2014

Miguel de regresso à escola


O Miguel regressou hoje à escola. De farda nova, entra no 5ª ano desta forma sorridente. Embora se mantenha na mesma escola, a mudança é grande: turma nova (a escola tem por principio misturar as duas turmas do 4ª ano quando se inicia esta nova etapa); recreio novo (deixa de ser o mais velho e passa a ser o mais novo  do recreio dos crescidos) e o aumento de disciplinas com as inevitáveis mudanças de salas e professores. Tenho a certeza que se vai adaptar bem e espero que goste desta nova etapa da vida em que o trabalho diário tem de se tornar hábito mas as matérias são diversificadas e mais interessantes. Aproveita bem, Miguel, porque estas boas fases passam a correr e não tarda nada serão apenas uma doce lembrança.


13 de setembro de 2014

O colo que não te dei


Hoje, apenas partilho este belíssimo texto da nossa querida Sónia porque há palavras que não se dizem e textos que não se escrevem.

O que é ser quase mãe? Como é ter um filho quase a nascer e perdê-lo? Histórias em que os sentimentos de culpa se misturam com a raiva e com a esperança de mães que perderam os seus bebés em avançado estado de gestação.
Sandra Almeida: perdeu a Mónica às 37 semanas e meia de gestação (nove meses incompletos)
Foi no dia 25 de maio de 2005 que Sandra soube que estava grávida. A emoção e a felicidade deram rapidamente lugar aos enjoos e aos vómitos, que por sua vez deram lugar a desabafos próprios de quem está farto, fartinho. «Arre! Se eu soubesse que isto era assim tinha ficado quieta!» Sandra Almeida não podia imaginar que, meses mais tarde, a frase havia de ficar a ecoar na sua cabeça, como um castigo divino.
No dia 28 de dezembro, Sandra foi fazer a primeira CTG (cardiotocografia - mede os batimentos cardíacos do feto, os seus movimentos e as contrações uterinas) e a bebé ficou dez minutos sem se mexer. A médica pediu para que, antes do próximo exame, marcado para dia 4 de janeiro, a mãe se certificasse de que comia qualquer coisa, para espevitar a pequena Mónica. E assim foi.
No dia 4 de janeiro (sete dias antes da data prevista para a indução do parto), a assistente da obstetra começou à procura do foco cardíaco da bebé. Sem sucesso. Chamou a médica, que também não conseguiu descobri-lo, e que decidiu fazer uma ecografia para ver o que se passava. «Passa-se alguma coisa?», perguntou Sandra, de olhos postos no teto e coração em sobressalto, enquanto a médica espreitava para dentro da sua barriga. A médica, de ar grave, decretou: «Tem de ir imediatamente para o hospital.» Sandra insistiu: «Mas passa-se alguma coisa?» Foi então que escutou as palavras que jamais imaginara ouvir: «Não lhe posso garantir que a sua filha esteja viva.»
Sandra não se lembra do caminho para o Hospital de Santa Maria, não se recorda de dar entrada, como se uma grande névoa lhe tivesse toldado a consciência nesse momento. Sabe que levava nas mãos um envelope que dizia «FM» e que sentia as pernas a tremer e que uma enorme incredulidade se ocupava dela. Ao chegar junto da enfermeira encarregue de a observar, largou num pranto. A profissional fez-lhe festas na mão e tentou sossegá-la, enquanto lhe ia fazendo nova ecografia: «Tenha calma. Isto às vezes são uns sustos que a gente apanha mas não passa disso. Então diga-me cá: de quantas semanas está? E é menino ou menina?» E, de repente, silêncio. Silêncio absoluto. E depois do silêncio, novas palavras impossíveis: «Ai, Sandra, infelizmente tenho de confirmar... a sua filha faleceu.»
«Naquele momento, eu deixei de existir. A minha vida não tinha mais razão de ser. Eu, mãe, matei a minha filha. As mães são as que protegem no ventre. Eu nem disso tinha sido capaz. Toda a gente diz que não há sítio melhor para um bebé do que a barriga da mãe. E a minha barriga, afinal, era um perigo.» Sandra, grávida de 37 semanas e meia, tinha a filha morta dentro de si. Depressa vieram mais médicos, foi declarado o óbito e, a páginas tantas, era como se ela não fosse mais que um fantoche, uma personagem de ficção que um argumentista decide que anda para a esquerda ou para a direita, para a frente ou para trás, como se nada daquilo fosse real. Não era possível que fosse real.
Sandra e Paulo foram encaminhados para um quarto, onde ficaram sozinhos e abraçados, em lágrimas. Era preciso induzir o parto e puseram-na a soro. Nessa noite, longa, tão longa, os dois escutaram 11 partos. Onze crianças a nascer. E eles ali, onde tantas vezes se tinham imaginado, com uma filha sem vida para dar à luz. Que luz, se ela não podia vê-la?
Sandra Almeida, então com 32 anos, passou trinta horas em trabalho de parto. Desesperado, o marido quis saber o porquê daquele sofrimento desnecessário. «Porque é que não lhe fazem uma cesariana e acabam com isto de uma vez?» Os médicos explicaram então que a cesariana iria limitá-los em termos de tempo. «A Sandra ainda é jovem, vai querer uma nova gravidez, a cesariana vai obrigá-la a esperar dois anos. Se for parto normal, em breve podem estar a engravidar novamente.»
Ela não se ralou com as dores inúteis do trabalho de parto. Ao mesmo tempo que as contrações iam apertando, Sandra resolvia mentalmente os problemas que se seguiriam: o enterro, avisar as pessoas, como receber os pais. Não pregava olho e, por isso, na noite de 5 para 6 de janeiro, puseram-lhe um medicamento no soro para a ajudar a dormir: «Tem de descansar. Daqui a pouco vai passar por um parto difícil e precisamos da sua ajuda.»
Quando acordou, Sandra sentiu que tinha chegado a hora. Mónica ia nascer. Paulo tinha ido a casa tomar um banho mas ela não se ralou por estar sozinha naquele momento. «Para que é que ele ia assistir ao nascimento da filha morta? Qual é a beleza disso? Além do mais, achei que aquele era um momento meu e dela.» E, assim, às 8h45 de sexta-feira, dia 6 de janeiro de 2006, nasceu a fórceps a sua menina. Dia de Reis e a sua rainha nasceu sem chorar. Só o silêncio, o vazio e a expressão chocada da médica, a olhar o bebé calado. A obstetra só foi capaz de balbuciar: «A sua filha é perfeita.»
Mónica pesava 2,715 kg e não tinha sinais de sofrimento. Simplesmente parecia dormir. A enfermeira veio ter com Sandra e perguntou: «Quer ver a sua filha?» A resposta foi perentória: «Não!» A profissional ficou calada um momento e insistiu: «Tem a certeza?» Sandra foi brusca: «Já lhe disse que não!»
Seguiu-se a desolação. O marido a chegar, aos gritos, a perguntar pela filha que já tinha seguido para a morgue. O abraço dos dois, tão forte. A emoção de todos os que estavam em redor, médicos, enfermeiros, pouco preparados para lidar com a morte, eles que se especializaram em lidar com a explosão da vida, de novas vidas.
Depois, a força de Sandra a vir ao de cima. «Pronto. Já está. Falta o enterro e vamos começar a vida outra vez.» Pediu para tomar banho, queria estar em condições para quando as pessoas começassem a chegar. «Eu não queria fugir. Se fugisse de enfrentar a dor ia ser muito mais difícil. Mais valia ter todos os embates de uma vez.» E foi também por isso que no dia em que teve alta quis ir buscar sopa a casa da mãe. Paulo inquietou-se: «Mas... sabes que vão lá estar os vizinhos, sabes que vai haver perguntas e conversas...» Sandra sabia. E não tencionava esconder-se. As perguntas e as conversas haviam de surgir inevitavelmente. Mais valia encará-las desde o primeiro dia. Foi o que Sandra fez.
Chegar a casa, no domingo em que teve alta, também esteve longe de ser fácil. O quarto da bebé pronto, as roupas da pequena Mónica penduradas. Tudo à espera de quem nunca chegou.
A autópsia estava marcada para segunda-feira, dia 9. Na noite anterior, Paulo avisou a mulher que iria ao hospital ver a filha. Era a última oportunidade que tinham de a conhecer. «Passei a noite a pensar: vou, não vou, vou, não vou. Quando ele se levantou, eu levantei-me também. Ele perguntou: "Tens a certeza?" Tenho.» Quando lá chegaram, tremiam como varas verdes. «Ela estava toda enroladinha, muito bem penteada. Quem tratou dela fê-lo com muito carinho e isso foi muito bom para mim. Estava muito serena. Estava bem, em paz. Era tão bonita. Os olhos muito rasgados. O meu marido foi-se muito abaixo. Às tantas perguntou se eu queria tirar uma fotografia. Disse que não. Era macabro de mais. Disse-lhe: "Olha bem para ela e memoriza-a." E assim foi. Eu estive sempre de braços cruzados a olhar para ela. Arrependo-me de não lhe ter tocado, de não lhe ter feito uma festa. O meu marido afagou-lhe os cabelos. Mas eu sabia que ela estava fria e não quis ter esse contacto frio com ela.»
Nesse momento a três, Sandra falou em silêncio com a filha. «Mentalmente fiz-lhe promessas. Prometi-lhe que nunca ia ser esquecida. E que as 37 semanas e meia que ela esteve comigo iam sempre fazer sentido. E que o facto de ter partido não significava que não permanecesse, para sempre, no meu coração.»
No dia 11 de janeiro, dia previsto para o parto, foi o enterro, em Benfica. Um enterro com muita gente, muitos amigos, muita comoção, muitas lágrimas. Não é fácil para ninguém ver um caixão pequenino a entrar pela terra dentro. «No dia 11, em vez de estar a dar um berço à minha filha, ali estava eu, a dar-lhe um caixão. Em vez de a cobrir com lençóis bordados, ali estávamos nós a cobri-la de terra. É muito difícil, muito difícil. Dias depois começou a chover. E eu sentava-me aqui neste canto do sofá a chorar. Só pensava: a água está a cair no caixão da minha filha... Zanguei-me muito com Deus, sabe? Muito. Disse-lhe barbaridades. Espero que ele compreenda. E releve.»
O tempo foi passando e, com ele, a dor amenizou. Mas Sandra nunca deixou de falar na sua Mónica. Falava muito dela. Sempre. E aí começou a censura. «Tens de começar a deixar esse assunto», diziam uns. «Esquece!», exclamavam outros. «Já está na altura de partires para outra», sugeriam também. «Tens é de ter outro para esqueceres isso!» Ou ainda: «Tu és nova, ainda vais ter uma catrefada de filhos!» Ou pior: «Tu nem chegaste a conviver com ela, olha pior era se morresse mais tarde!»
Subitamente, a incompreensão. Como é que podiam querer que esquecesse a sua filha? Como podiam sequer imaginar que um novo bebé substituiria o anterior? Como era possível que pensassem que o facto de não a ter tido no colo diminuía a sua dor? Foi então que percebeu que a dor que rodeia a perda gestacional é uma dor feita de silêncio. E então Sandra falou mais alto. Mais vezes. Contra tudo e contra todos. Porque falar na filha era cumprir a promessa que lhe tinha feito. Porque falar nela, relembrá-la, minorava o seu sofrimento.
No dia 28 de setembro de 2006, Sandra Almeida soube que estava de novo grávida. No momento em que viu o teste sentiu-se feliz mas foi sol de pouca dura. A partir daí foi um pesadelo. «Estive nove meses apavorada. Porque eu nunca soube porque é que a Mónica morreu, a autópsia não foi conclusiva. E então sentia que a minha barriga não era um lugar seguro.» Até que, no dia 24 de abril de 2007, às 6h01 da manhã, nasceu Vasco, o segundo filho de Sandra e Paulo.
Já passaram cinco anos sobre a morte de Mónica. Quando lhe perguntam quantos filhos tem, Sandra responde sempre «dois»: «Um está na terra e a outra está no céu.» Vasco tem 4 anos e sabe perfeitamente que tem uma irmã, anjo da guarda particular que olha por ele, lá em cima. E até nas paredes de casa a bebé tem o seu lugar: a imagem de uma ecografia está ali, lado a lado com a fotografia do pai, da mãe e do irmão. É por isso que Sandra conta toda a história sem se comover uma única vez. Não é por ser dura, não é por ser fria. É por ter resolvido bem o assunto dentro de si. Por ter chorado tudo o que quis, tudo o que precisou. Por não ter escondido o sofrimento, como se fosse uma loucura só sua, um exagero. Por ter cumprido a promessa que lhe fez, naquele dia em que a conheceu: a de nunca, mas mesmo nunca, a esquecer.
Liliana Mendes, 33 anos: perdeu o Miguel às 36 semanas de gestação (nove meses incompletos)
Quando viu os olhares dos médicos, fixos na ecografia, Liliana sentiu um calafrio: «O que é que se passa? Está tudo bem com o Miguel?» A verdade é que, quando lhe responderam, ela já tinha compreendido. Ser enfermeira ajuda a decifrar olhares, a interpretar expressões. E aqueles que ali estavam, em choque perante uma morte inesperada, eram os seus colegas de trabalho no Hospital Cuf Descobertas, alguns mais que colegas, amigos. O coração do seu primeiro filho, Miguel, tinha deixado de bater. «Fiquei em choque. Só pensava: porque é que isto tem de me acontecer a mim, que todos os dias ajudo bebés a nascer?» Sim, porque Liliana não é só enfermeira. É enfermeira de parto e de puerpério. Uma ironia cruel.
Liliana passou 12 horas em trabalho de parto. «Doze horas a sofrer em troca de nada. Em vão.» Confessa que se lembra das coisas em modo de retalho, aos bocados, como flashes de um filme mau. «Acho que só caí mesmo em mim quando ele nasceu. Quando fui para o bloco de partos achava que aquilo tudo ainda ia ser engano e que ele ia chorar. Mas depois ele nasceu, levaram-no e não ouvi chorar. O bloco ficou em silêncio. E aquele silêncio invadiu o espaço e invadiu-me a mim. Foi o pior momento de todos. O pior momento da minha vida.»
A equipa, feita de colegas e amigos, sabia que Liliana havia de querer ver o seu filho. Por isso, não houve perguntas. Trouxeram-lhe o menino, embrulhado numa manta, e puseram-no ao seu colo. «Era um bebé gordinho, muito bonito. Estive com ele ao colo, a chorar, até que apaguei. É algo que nunca vou perdoar à anestesista. Ela deu-me medicação para terminar com o meu sofrimento mas isso roubou-me aquele momento. E aquele momento era único. Uma colega e amiga, que esteve sempre comigo, garante que eu me despedi dele, mas eu não me lembro. E queria lembrar-me.»
O segundo momento mais difícil foi o da alta. Sair do hospital de braços vazios, levar a mala, entrar no carro. Sem barriga, sem bebé, sem alegria, sem esperança, sem alento. «Depois foi o deparar-me com a incompreensão dos outros. As pessoas acham que o facto de não termos conhecido o bebé não nos dá direito à dor. Sempre que eu falava, calavam-me. "Mas para que é que estás a falar disso?" E sempre que eu ia ao cemitério perguntavam-me: "Mas porque é que vais lá outra vez?" Eu sentia necessidade de ir ao cemitério todos os dias porque era lá que estava o meu filho. Era uma coisa quase física. Eu precisava daquela proximidade.»
O marido era outro que não falava do assunto. Simplesmente não falava. Liliana acredita que ele tenha sofrido muito, mas nunca o partilhou consigo. «Cada um viveu a sua dor para o seu lado. Cada um fechado em si. Durante o período da licença de maternidade, quase não saí de casa. Não falava com ninguém. A minha médica de família achava que eu não estava em condições para ir trabalhar mas eu fui. Ficar fechada em casa também não estava a ajudar-me. Mas quando voltei ao trabalho, tive de encarar mulheres grávidas e partos e foi um suplício. Era uma afronta. O bloco de partos magoava-me. Fazia-me reviver tudo. Eu estava a trabalhar no mesmo sítio onde o meu filho nasceu morto. Estava a ajudar mulheres a terem os seus bebés, enquanto eu tinha perdido o meu.»
Um ano depois de perder o Miguel, Liliana pediu finalmente ajuda psicológica. Um apoio essencial que lhe permitiu compreender que o facto de não ir todos os dias ao cemitério não significava que tivesse esquecido o filho.
Além do apoio psicológico, também foi importante ter descoberto a Associação Artémis, que ajuda quem passa por uma perda destas. «Descobri o fórum, onde outras mães falavam da sua dor e então percebi que não estava sozinha, que não era maluca. Que podia sofrer por um filho que não tinha nascido com vida, que era normal que sofresse. Que as outras também sofriam, não era só eu.»
Mas a maior ajuda de todas foi ter engravidado de novo. Uma alegria ensombrada, claro. E que começou logo menos bem. «Às seis semanas tive um descolamento de placenta. Vim para casa e em casa fiquei, até ao fim. Houve sempre muita ansiedade. Comprei um aparelho e estava sempre a ouvir o bebé, imensas vezes por dia. O medo era tanto! Às 34 semanas estava completamente descompensada. Chorava por tudo e por nada, não dormia, não comia, estava uma pilha de nervos. A minha médica internou-me. Eu pedia-lhe para induzir o parto mais cedo e ela dizia: "Eu não quero ver esse bebé na incubadora, eu não quero ver esse bebé na caixinha!" E eu não me ficava: "Ó doutora, antes na caixinha do que no caixão!"»
Tal era a sua vontade de ver o filho longe da sua barriga, e vivo, que se pôs a subir e a descer as escadas do hospital onde estava internada para provocar o parto. «Era como se sentisse que comigo ele não estava em segurança. Na minha barriga ele não estava protegido. Mais valia que nascesse depressa, que eu depois logo o protegia cá fora.» Conseguiu. No dia em que se pôs a escalar degraus, o Tiago nasceu. «O parto foi facílimo e eu estive supercalma. Era como se estivesse ali o anjinho a proteger o irmão. Quando o ouvi chorar foi um alívio enorme. Como se estivesse estado sem respirar durante nove meses e agora, finalmente, respirasse de novo.»
Nos dias que se seguiram, Liliana passava o tempo a mirar o filho, vivo, saudável, sereno. Tiago tem quase 2 anos e é a alegria da casa. Ajudou muito a ultrapassar a dor da perda do irmão. «A perda de um filho não se supera. Habituamo-nos a conviver com a ausência e com a dor. É verdade que a atenção já não está tão concentrada no Miguel, mas não há um único dia em que não pense nele.»
Carla Priegue, 38 anos: perdeu a Leonor e a Sofia às 32 semanas de gestação (oito meses)
Já tinha uma filha com 4 anos quando decidiu, com o marido, ter outro bebé. Carla Priegue engravidou rapidamente, foi seguida e, quando fazia a ecografia das 12 semanas, recebeu a notícia: eram dois. «Só não caí porque já estava deitada. Foi um baque. Mas baque maior tive quando o médico disse: "Vamos conversar."» A sua gravidez tinha um risco. «Era uma gravidez monocoriónica biamniótica, ou seja, cada bebé estava no seu saco mas tinham uma placenta comum. Eram gémeos verdadeiros e o médico alertou para uma síndrome, que podia ocorrer, que era a síndrome de transferência feto-fetal, em que um dos gémeos passa a ser o dador e o outro o recetor: um dá todo o alimento, nutrientes e oxigénio ao irmão, ficando sem nada, o que se traduz num risco de vida para um deles ou para ambos.»
O médico particular encaminhou-a para o Hospital de São João, no Porto, onde devia passar a ser acompanhada. Carla ficou em pânico. Mas o médico Nuno Montenegro, do São João, tranquilizou-a e até lhe falou numa cirurgia que se fazia em Londres, de separação da placenta, caso viesse a ser necessário.
Ecografia atrás de ecografia, tudo corria bem. A Leonor e a Sofia estavam ótimas, muito equivalentes, não havia uma maior do que outra, e às 32 semanas Carla começou realmente a acreditar que tudo ia correr bem.
Num certo domingo, porém, Carla começou a sentir uma dor de lado. Pensou que seria uma pressão, normal aos oito meses de gravidez, e desvalorizou. Foi trabalhar na segunda e na terça-feira mas, na noite de terça para quarta não conseguia estar deitada com dores. Ainda deixou passar essa noite mas na quarta-feira, dia 11 de dezembro de 2008, de manhã, foi à urgência. Quando fez a ecografia, o médico disse o que mais temia: «Está a acontecer a síndrome feto-fetal.»
Nesse instante, tudo se precipitou. Uns médicos diziam que ia para Londres, outros que ficava internada ali. Ligaram-na ao CTG e a enfermeira não encontrava o foco cardíaco. Veio outra. Carla estava desesperada: «Não encontram? O que se passa? Digam-me!» Chamaram o médico, vieram dois com um ecógrafo portátil. Procuravam um batimento cardíaco, mas nada. Carla largou a chorar. A médica pôs a mão na mão dela e perguntou: «Já percebeu, não já?» Carla soluçava, incrédula: «Mas foram as duas?» Sim. Tinha perdido as duas.
A médica comoveu-se muito. «Não sei o que hei de dizer-lhe», repetia. Carla só conseguia chorar. Puseram-na num quarto sozinha e foi então que pensou: «Acabou. Pronto. Acabou-se. Parei de chorar, limpei as lágrimas da cara e disse: "Vou ter de ser forte. Tenho uma filha em casa, que precisa de mim, e eu vou ter de aguentar isto. Já está, não há nada a fazer, é acabar com isto e pronto.» Perguntaram-lhe se queria parto normal ou cesariana e ela escolheu cesariana. Não lhe importava se depois tinha de esperar muito por outra gravidez, não lhe importava o depois, importava-lhe o agora. E agora, naquele momento, ela só queria sofrer o mínimo possível, dentro do tanto que estava a sofrer.
E assim foi: vieram buscá-la para o bloco de partos, adormeceram-na e fizeram a cesariana. Quando acordou, estava livre. «Pensei: acabou.» Nunca teve coragem de as ver. «Tem dias em que me arrependo, tem dias em que acho que foi o melhor que fiz.» O tempo no hospital passou-se. Carla estava apática, a incutir em si própria uma força artificial. O pior foi quando teve alta. «Quando se sai do hospital é que dói a sério. Saí vazia, saí sozinha, saí sem nada. Aí é que se dá o baque. Depois, foi a cremação. As minhas filhas levaram vestidas as roupas que eu tinha escolhido para o dia do seu nascimento. Foi muito triste. Eu não assisti. Fiquei à espera, à porta do cemitério.»
À Inês, a filha mais velha, Carla Priegue explicou que as manas estavam muito doentes e que tiveram de ir para uma estrelinha no céu. «Ainda hoje, dois anos depois, ela me fala nas irmãs: "Será que as manas têm brinquedos, lá em cima?"» Foi Inês quem «salvou» a mãe de ir ainda mais ao fundo. «Agarrei-me a ela como a uma tábua de salvação.»
Carla não esperou para pedir apoio psicológico. Sentia-se esmagada pela culpa. «Se eu senti uma dor no domingo porque é que não fui logo ao hospital? Se tivesse ido tinham-me feito uma cesariana, as bebés tinham nascido mas se calhar salvavam-se. A culpa é muito grande. É um "se" que fica aqui atravessado na garganta e acho que vai ficar aqui para sempre.»
Mal teve ordem médica para engravidar novamente, Carla não hesitou. Em dezembro de 2009 estava grávida. Ficou feliz mas, claro, com medo. Ainda assim, pensou: «Isto não volta a acontecer. Uma coisa destas não acontece duas vezes à mesma pessoa. Por isso, toca a relaxar!» Mas a ecografia das 12 semanas não lhe permitiu descansar. «Quando vejo a médica levantar-se, a meio da ecografia, pensei: isto não está a acontecer-me! Ela chamou outra médica, começaram a falar uma com a outra como se eu não estivesse ali e, às tantas, disseram: "A bebé tem uma bexiga demasiado grande, não é o fim do mundo, já vi muitas a regredirem mas... vamos aguardar." A mim só me ocorria perguntar: mas que mal fiz eu?»
Com efeito, às 15 semanas, confirmou-se: a bexiga continuava a inchar, os rins estavam a deixar de funcionar, e Carla teve de interromper a gravidez. «As pessoas não sabiam o que me dizer. Eu acreditava em Deus mas agora... devo dizer que a minha fé foi muito abalada. Muito mesmo. Revoltei-me muito contra Deus. Mais uma vez, saí do hospital vazia, mais uma vez saí do hospital sem nada nos braços. E pensei: é desta que não me levanto.»
Enganou-se. Tornou a engravidar. Nove meses em sobressalto. Mas o João nasceu e, nesse instante, sentiu uma explosão de alegria e de alívio. «Agora sim, vou poder respirar. Acho que valeu a pena. O João ajudou no processo de perda, deu-me uma grande felicidade, que aumenta de dia para dia, mas acho que vou viver toda a vida a sentir-me incompleta. Afinal, tive cinco filhos. E só dois é que estão comigo.»
Artémis: uma associação que ajuda quem fica com o colo vazio
Chama-se Associação Artémis e existe, como IPSS (instituição particular de solidariedade social) desde 2005. No entanto, o fórum online nasceu antes, em 2001, para que as mulheres pudessem desabafar e conhecer outros casos parecidos com o seu.
Manuela Pontes é a fundadora. «Nos anos 2000 e 2001 sofri duas perdas gestacionais no primeiro trimestre, com oito semanas. Após a segunda perda surgiu a ideia de criar uma associação que ajudasse mulheres como eu, que se sentiam sozinhas numa dor rodeada de incompreensão.»
O objetivo da Artémis é dar apoio psicológico e emocional. Esse apoio é feito de duas formas: através do grupo de autoajuda (terapia de grupo) e do acompanhamento psicológico individual ou de casal. «Insistimos mais na terapia de grupo. Temos verificado que a partilha ajuda no processo de luto. Em grupo, só os nomes é que são diferentes. Tudo o que sentem é igual. Ali são compreendidas, falam a mesma língua. Ao contrário do que sentem fora dali, na esfera familiar e de amigos, que desvalorizam todos os sonhos que foram projetados naquela gravidez.»
Manuela Pontes sentiu o mesmo quando aconteceu consigo. «Quando engravidamos, toda a gente festeja. É uma alegria, há presentes, ursinhos, beijinhos, lágrimas de emoção. Quando perdemos o bebé não há uma tristeza correspondente. As pessoas dizem: "Deixa lá isso!" Isso? Como é que não se há de enlouquecer com esta reação, tão fria? E, assim, as mulheres começam a compactuar com o silêncio. E a sofrer para dentro.»
E é assim que surgem casos dramáticos como o de uma mulher, que Manuela Pontes conheceu na associação, que se mutilava, com um garfo, na barriga. «Ela perdeu cinco bebés. Sentia-se um monstro, uma assassina. E sofria em silêncio. E maltratava-se em silêncio. É por isso que é urgente falar destes casos e compreender que a dor existe, é real. Deixem estas mulheres fazerem o seu luto.»
«É preciso aprender a gerir a culpa»
A culpa é, de todos os sentimentos, o que mais persegue quem sofre uma perda gestacional. Sandra Cunha, psicóloga que dá apoio na Associação Artémis, diz que é difícil, muito difícil, lidar com uma morte que ocorre dentro do corpo da mulher: «É como se não soubessem ser mães. Como se sentissem que o seu corpo não sabe proteger os bebés que carrega, como se fosse um corpo assassino. Isto é muito violento. É preciso compreender que a culpa é irracional, não faz sentido. É preciso aprender a gerir a culpa.»
Depois, para piorar a situação, vem o silenciamento da sociedade. As pessoas não fazem por mal, claro. Mas ao pedirem às mães em luto que esqueçam, que atirem para trás das costas, ao desvalorizarem assim a sua dor, estão a causar mais dor. «Não há palavras certas. O ideal é que família e amigos estejam presentes e que não façam comentários. Estas mães não querem comentários, querem que as oiçam. Assim, a melhor atitude é a de estar, simplesmente, sem juízos de valor. Claro que se um familiar vir que aquela mulher vive para aquela lembrança, que não faz mais nada senão viver e reviver aquela perda, todos os dias, então deve encaminhá-la para uma ajuda técnica. Mas subtilmente, sem imposições.»
Para Sandra Cunha é urgente a instituição de um protocolo, em todos os hospitais, que inclua uma avaliação psicológica pós-perda. «Há muitas mulheres que não têm fatores externos de suporte que lhes permitam seguir em frente. E, por não terem sido detetadas atempadamente, desenvolvem depressões graves, patologias sérias, que fazem o Estado gastar mais dinheiro do que se houvesse essa triagem e as que precisam fossem logo acompanhadas.»
Na terapia de grupo na Associação Artémis são sobretudo as mães que marcam presença. Os pais vão pouco. «É uma questão cultural. O homem ainda acha que não pode chorar, não pode dar parte de fraco. Tem de ser o pilar, tem de estar bem. Mas isto não é bom nem para eles nem para as mães, que invariavelmente se sentem muito sós na sua dor. As mães queixam-se muitas vezes disso e acham que eles não falam do assunto porque já esqueceram. Não esqueceram nada. Têm é diferentes maneiras de lidar com a perda.»
Entrevista a Marcela Forjaz, obstetra e autora de O Grande Livro da Grávida(editora Esfera dos Livros)
A perda gestacional é um acontecimento raro. Tem ideia da percentagem de casos?
_Os números na literatura são muito díspares sobretudo porque englobam idades gestacionais diferentes. Em 2006, por exemplo, sei que houve 417 mortes fetais tardias (a partir das 34 semanas) para cerca de 104 mil nascimentos, o que dá qualquer coisa como 0,4 por cento. Em 2009 tivemos 380 mortes fetais. A verdade é que é um acontecimento cada vez mais raro porque há vários fatores a contribuírem para a sua diminuição: o diagnóstico mais precoce das complicações, o melhor controlo dessas situações e, se necessário, a indução do parto pré-termo. De resto, também grande parte das anomalias cromossómicas ou estruturais dos fetos são detetadas precocemente, o que leva à interrupção precoce de gravidezes que possivelmente acabariam mais tarde em morte fetal.
O que pode estar na origem de uma morte fetal?
_Podem ser causas fetais, maternas ou placentares. Nas fetais, destacam-se as cardiopatias, síndromes malformativas, alterações cromossómicas não detetadas (hoje mais raro) e infeções bacterianas. Nas causas maternas, a diabetes, a hipertensão, infeção e sepsia. Nas causas placentares, a transfusão feto-fetal da gravidez gemelar, os acidentes do cordão... a amnionite (inflamação da membrana que rodeia o feto).
Porém, em muitos casos a autópsia não é conclusiva. Porquê?
_Por vezes é difícil concluir o que aconteceu. Segundo a literatura, as mortes inexplicadas vão dos 15 aos 35 por cento, dependendo da fonte. Acredito mais nos 35 por cento.
Um parto natural, de um feto morto, é a melhor opção?
_O parto natural é a melhor forma de preservar a fertilidade dessa mulher. Além de que uma cesariana implica sempre mais riscos e a última coisa de que uma mulher que sofreu uma perda gestacional precisa é de mais riscos. Há uns anos era bem pior. Não havia analgésicos e as mulheres tinham de passar por tudo com dores inúteis, digamos. Hoje, com a epidural, é mais fácil todo o processo.
É recomendável que a mãe veja o filho?
_O que está aceite e é consensual é que a mãe veja o filho e faça o luto. Quando uma mulher opta por não ver o filho, a imagem que tinha idealizado não será suficiente para acalmar a sua dor. É sempre preferível sensibilizá-las para que vejam, para que se despeçam.

11 de setembro de 2014

Para quem gosta de publicidade


Sou daquelas pessoas que gosta de ver os anúncios publicitários no intervalo dos programas televisivos, que olha para os cartazes nas ruas, que procura a publicidade nos jornais, revistas e rádio e que observa atentamente a comunicação que as diferentes marcas fazem nos locais de venda, nomeadamente, nas grande superfícies. A publicidade em geral atrai-me, a comunicação de uma marca ou empresa, a forma como os publicitários e os marketeers sintetizam uma ideia e elaboram uma campanha, são temas que me fascinam e que procuro acompanhar.
Ontem, quando procurava um programa para ver na televisão, encontrei "Os filhos da Pub", que estava a começar na Sic Radical e que me chamou logo a atenção pelo nome que, quando verbalizado, é percepcionado pelo nosso cérebro como insulto. Achei logo engraçado e dispus-me a ver. Trata-se de um programa semelhante ao "Querido mudei a casa" só que aqui trabalha-se a imagem de uma empresa e toda a sua comunicação, desde o logo, imagem corporativa, redes sociais até à decoração do próprio espaço físico onde a empresa está sediada. É conduzido por Gonçalo Morais Leitão, que não conhecia mas descobri que tem já elaborados imensas campanhas importantes  e vários prémios conquistados e verifiquei espantada que já vai na 3ª temporada. O episódio em que tropecei por mero acaso, como já disse, era a transformação de toda a comunicação de uma agência funerária, que não é das coisas mais fáceis de se fazer, e achei que se desenrascaram muito bem da tarefa. A Funalcoitão passou a ter como lema "Mais do que enterros, fazemos homenagens".Tendo como base o poema de Mário de Sá Carneiro é homenageada a vida e a morte deixa de ser assustadora para ser celebrada. Gonçalo conta com uma vasta equipa de suporte que vai  desde publicitários a decoradores até empresas de impressão gráfica, todos com o único objectivo de satisfazer o cliente e responder ao desafio proposto. Muito giro e com certeza para acompanhar sempre que puder.



Aprender com os cães


Por que os cães vivem menos tempo que as pessoas? Aqui está a resposta dada por uma criança de 6 anos:
Sendo um veterinário, fui chamado para examinar um cão irlandês de 13 anos de idade chamado Belker.
A família do cão, Ron, a sua esposa Lisa e o seu pequeno Shane, eram muito ligados a Belker e aguardavam por um milagre.
Examinei Belker e descobri que estava a morrer de cancro. Disse à família que não poderia fazer nada por Belker e ofereci-me para realizar o procedimento de eutanásia em casa deles.
No dia seguinte, senti aquela sensação familiar na minha garganta quando Belker foi circundado pela família. Shane parecia tão calmo enquanto acariciava o seu cão pela última vez, e eu questionava-me se ele entendia o que estava a acontecer. Em poucos minutos, Belker fechou, pacificamente, os olhos num sono do qual não iria acordar.
O menino parecia estar a aceitar a transição de Belker sem dificuldade. Sentámo-nos por um momento perguntando-nos sobre o porquê do facto infeliz da vida dos cães ser mais curta do que a dos seres humanos.
Shane, que tinha estado a escutar atentamente, disse:'' Eu sei porquê.''
O que ele disse depois espantou-me e deixou-me sem fala. Nunca antes tinha ouvido explicação mais reconfortante que esta.

Esse momento mudou a minha maneira de ver a vida.
Shane disse:''
Nós vimos ao mundo para aprender a viver uma boa vida, aprender a amar os outros todos os dias e sermos boas pessoas, não é? Bem, como os cães já nascem a saber tudo isso,
não têm de ficar cá durante tanto tempo como nós.'' 
Moral da história?
Se um cão fosse teu professor, aprenderias coisas como:
1) Quando os teus entes queridos chegam a casa, corre sempre para os cumprimentar.
2) Nunca deixes passar uma oportunidade para ir passear.
3) Permite que a experiência do ar fresco e do vento, na tua cara, seja de puro êxtase.
4) Faz umas sonecas.
5) Espreguiça-te antes de te levantares.
6) Corre, salta e brinca diariamente.
7) Melhora a tua atenção e deixa que as pessoas te toquem.
8) Evita morder quando um simples rosnar seja o suficiente.
9) Em dias quentes, deita-te de costas sobre a relva com as pernas e braços abertos.
10) Num clima muito quente, bebe muita água e deita-te à sombra duma árvore frondosa.
11) Quando estiveres feliz, dança.
12) Delicia-te com a simples alegria de uma longa caminhada.
13) Nunca pretendas ser algo que não és.
14) Se o que queres, está enterrado... cava até encontrares.
15) Quando alguém esteja a ter um mau dia, fica em silêncio, senta-te a seu lado e, suavemente, faz-lhe sentir que não está só... !

10 de setembro de 2014

10 de Setembro - Dia Mundial da Prevenção do Suicídio




 O suicídio é uma temática assustadora. Todos querem saber se há sinais de aviso, se os potenciais suicidas dão ou não a atender no que estão a pensar levar a cabo, se temos ao nosso lado alguém em risco e não nos apercebemos disso e, mais importante de tudo, se é ou não possível evitá-lo e como.

 Há vários pontos de vista em relação a isto e aqui, como em muitos outros assuntos, quase se pode dizer que a cada cabeça sua sentença, tantos os argumentos usados, muitos deles contraditórios.
Quase todos nós já tivemos contactos com o suicídio quer duma forma directa quer indirecta, já todos lemos noticias acerca desta ou daquela figura pública que se suicidou  e acredito que o que  a maioria de nós mais teme é que aconteça com alguém com quem nos relacionamos, familiar ou amigo, e não tenhamos estado suficientemente despertos para os sinais de alerta.

É comum ouvirmos dizer, que quem está com intenções de se matar não avisa e quem apenas quer chamar a atenção para si ou para uma determinada situação, fala sobre o assunto, ameaça. Este é um dos grandes mitos da psicologia, defendido e aceite quase genericamente por todos, e diz que o verdadeiro suicida, aquele que tem de facto intenções de ser bem sucedido não avisa, não dá qualquer sinal.

É um mito, e como tal, falso, e perigoso porque nos leva a desvalorizar situações de perigo real. Eu aconselho que se dê sempre atenção a qualquer sinal ou exteriorização de vontade porque nunca sabemos quando é que o que nos estão a dizer vai ou não ser passado ao acto. Na dúvida, salvaguardamos a intenção e tomamos precauções.

Expressões como "não devia ter nascido", " estou farto de viver", " não faço falta a ninguém", "qualquer dia acabo com isto", e outras do mesmo teor, devem pôr-nos alertas em relação a quem as pronuncia. É claro que todos nós já as proferimos uma ou outra vez quando a fase de vida que atravessamos é menos positiva e têm portanto de ser contextualizadas, mas não custa nada ficar atento, principalmente se a pessoa em questão estiver a passar por uma qualquer situação de perda, afectiva, laboral, de auto estima ou monetária porque toda a perda é potencialmente geradora de doença depressiva que é, por sua vez, uma das primeiras doenças mentais associadas ao suicídio

Estudos diversos comprovam que 90% dos casos de suicídios estão relacionados com uma perturbação mental: depressão, doença bipolar, esquizofrenia, alcoolismo ou consumo de drogas  e quando dois ou mais destes factores se juntam, é claro que o risco aumenta.

Outro grupo de risco a ter em conta é o dos adolescentes que estão numa fase de maior  vulnerabilidade, e em que as acções e reacções a acontecimentos negativos são normalmente exacerbados, sendo o suicídio a segunda maior causa de morte entre os adolescentes, logo a seguir aos acidentes.

Assim, se estiver em contacto com alguém que,

- se sinta triste, envergonhado, culpado ou que é um peso para os outros
- se sinta rejeitado, humilhado, vitima
- se sinta sozinho ou abandonado

 estes sentimentos tenham sido desencadeados por,

- divórcio, luto
- doença física grave
- velhice (os idosos são outro dos grandes grupos de risco)
- desemprego ou problemas financeiros
- consumo de álcool ou drogas

e vir um ou mais destes comportamentos,

- consumo excessivo de álcool ou drogas
- serenidade depois de um período de grande agitação e ansiedade
- verbalização do desejo de morrer ou de estar farto da vida
- mudanças nos hábitos alimentares e/ou de sono
- auto mutilação
- diminuição do rendimento escolar
- dificuldades de concentração
- afastar-se da família e dos amigos
- deixar actividades que antes lhe davam prazer
- doar bens ou organizar a vida

Esteja atento e, se necessário, peça ajuda especializada.
E logo, às 20 horas, juntem-se a nós nesta iniciativa da Associação Mundial de Prevenção do Suicídio e acendam uma vela junto de uma janela.


  Light a Candle at 8 PM on World Suicide Prevention Day e-cards or postcards in Portuguese


9 de setembro de 2014

25 coisas importantes

 
1 - A  família é importante porque será sempre o teu suporte, a tua retaguarda, não importa o que faças ou o que te aconteça, estará sempre ao teu lado
2- O Sporting, é o melhor clube do mundo mesmo que passem anos e nada ganhe
3 - Os cães são os nossos melhores amigos, confiam, amam e entregam-se totalmente sem esperar nada em troca
4- Ter irmãos é bom e manter relações próximas e de partilha com eles é ainda melhor
5 -Ser mãe é maravilhoso
6- Ter um companheiro de vida é gostoso mas não assumas apenas o papel de "mulher de...", é demasiado redutor e perigoso, mas é a cereja no topo do bolo
7- Os amigos são essenciais. Aprende a confiar e olha ao teu redor com atenção porque à volta há  com certeza gente boa e que gosta de ti, não tenhas medo e deixa-as aproximar
8 - Amar é fundamental. Uma vida sem amor é vazia e perde o sentido
9 - Tu és importante. Cuida de ti, do teu corpo, da tua alma e do teu coração porque são eles que te acompanharão para sempre ( a mãe também)
10 - Aproveita cada dia e vive a vida intensamente. O tempo parece ilimitado mas passa demasiado depressa
11 - Não vivas apenas para o trabalho mas não te esqueças dele. É bom sentirmo-nos produtivos e apesar do dinheiro não ser o mais importante, a sua ausência traz muitos problemas e dependências
12- Não tenhas medo de correr riscos, cair e errar faz parte da vida, aprende com os erros e segue em frente
13 - Não vivas centrada no passado, o importante é o aqui e agora, mas também não deixes de estabelecer objectivos e organizar o futuro, ele vai chegar mais cedo do que pensas e convém que estejas preparada
14- Vive com honestidade face aos outros mas principalmente face a ti  mesma
15 - Segue o teu coração. Quando tiveres que tomar decisões, avalia a questão racionalmente e ouve o teu coração e, em caso de dúvida, segue-o porque serás com certeza mais feliz
16- Lê, escreve, ouve música, vê filmes, come de forma saudável, faz exercício, ama, contempla a natureza, vive plenamente
17- Acredita em ti, és suficientemente forte e capaz para vencer qualquer obstáculo e se ele por ventura for demasiado pesado para o carregares sozinha, partilha-o com alguém
18- Amo-te, hoje e sempre e estarei sempre ao teu lado
19 - Sonha e procura concretizar os teus sonhos porque só assim serás feliz
20 - Tu és importante. Não deixes nunca que alguém te diga ou faça sentir o contrário
21 - É impossível agradar a toda a gente, não percas tempo a tentar fazê-lo
22 . Relativiza, nada na vida é tão grave que não possa ser resolvido
23 - Não há verdades absolutas. Vais perceber que o que hoje pensas amanhã pode mudar e isso não te torna uma pessoa incongruente, demonstra apenas que és suficientemente inteligente para aprender
24 - A saúde é a nossa maior riqueza
25 - Não te zangues por ninharias, estás apenas a desperdiçar energias, canaliza-as para construir algo de positivo

Mónica

25 anos de Amor

Aquele fim de ano de 1988 foi fantástico. Tinha descoberto há meia dúzia de dias que ía ser mãe pela primeira vez e fui inundada por um misto de emoções totalmente novas. Foste muito desejada desde a primeira hora. Acho que foste muito desejada desde que me conheço porque sempre quis ser mãe, queria muito ter tido quatro filhos e a noticia da tua chegada encheu-me o coração de esperança e alegria. Foi uma gravidez calma, sem enjoos ou sobressaltos e vivida intensamente, com muita tranquilidade e muita leitura sobre o tema maternidade, rodeada de muito amor. Engordei 30 Kg mas nem isso me incomodava, só queria, como todas as mães, que nascesses saudável e depressa, quando chegasse a hora. Preparação para o parto feita e no dia marcado, depois de 42 semanas de espera, lá estava eu, pronta para aquele que considerava ser o dia mais importante da minha vida até ao momento, o dia do teu nascimento. Depois de alguns "pequenos" contratempos, nasceste, em sofrimento, e levaram-te para longe de mim, para os cuidados intermédios e o meu coração ficou pequenino, sufocado num desassossego sem fim à vista. Não tive a felicidade de te ter logo nos braços, não te ouvi chorar, não te vi e calei a dor sentida para que os que me rodeavam não a sentissem a dobrar. O teu pai teve autorização para te ver e cantou-te a música que diariamente eu te cantava nos momentos que tínhamos a sós, a nossa música, aquela que já antes tinha sido minha e da tua avó -  Avozinha. Tinha lido que se repetíssemos uma música ou som muitas vezes durante a gravidez, essa música teria, posteriormente, quando o bebé estivesse mais agitado, um efeito calmante e, segundo reza a história, o milagre aconteceu e em vez do choro intenso e continuado, acalmaste e procuraste quem cantava. Tive pena de não ter presenciado esse momento mágico mas felizmente que o teu pai se lembrou disso e te deu esse bocadinho de mim. Pedi para te ir ver e a primeira vez que olhei para ti já sentia que te amava mas o amor multiplicou-se de repente e invadiu-me, tomou conta de mim e soube desde logo que serias para sempre o meu grande amor. Aconcheguei-te nos braços, olhei-te nos olhos e acolhi-te no meu coração que de repente se tornou pequeno para receber tanto amor, era mãe, era tua mãe e não podia ser mais feliz. Tive alta hospitalar primeiro que tu mas, como é evidente, recusei-me a sair e deixaram-me ficar para te acompanhar. Mamavas bem e recuperaste depressa. Aqui a vaca leiteira, deu leite a muito bebé naqueles cuidados continuados, bebés prematuros cujas mães não produziam ainda leite e que aproveitavam o meu, que era grosso e abundante. Fomos finalmente para casa e tínhamos à nossa espera uma enorme festa, com toda a família reunida que te aguardava ansiosa e foi nesse dia que tirámos a nossa primeira fotografia das quatro gerações de mulheres da família juntas, fotografia que tivemos a felicidade de repetir ainda por muitos anos e hoje infelizmente não o vamos poder fazer. Já sabes como é a tua avó, tudo é motivo para celebração e ainda bem que assim é porque desse modo vamos também aprendendo a celebrar as pequenas coisas. Depois disso foi ver-te crescer numa contemplação permanente de que não me cansava, ficava apenas a olhar para ti e sentia-me a pessoa mais completa do mundo. Como era possível teres nascido de mim e seres tão perfeita, tão minúscula, tão minha. Era um sentimento de êxtase completo, de puro deslumbramento. Trouxeste à minha vida uma mudança tão boa que é difícil explicá-la por palavras, passaste a ser o meu centro, o meu universo, a minha prioridade, eras tudo e lembro-me de me sentir tão serena e segura nesse papel de mãe, sem dúvidas ou medos de qualquer espécie e onde tudo fluía naturalmente que parecia que te conhecia desde sempre. É mesmo verdade, que a mãe diferencia os choros dos filhos. É mesmo verdade que a ligação que se estabelece é única e irrepetível. É mesmo verdade que o mundo muda para melhor. É mesmo verdade que ser mãe é maravilhoso e eu adoro. Dediquei-me a ti todos os dias e adorei cada minuto passado no chão, a fazer puzzles, legos, pinturas ou a brincar com bonecas. Tomámos centenas de banhos juntas e depois deitava-te no meu corpo, pele com pele, e aí adormecias serena. Ensinei-te a olhar nos olhos, a respirar comigo e a escutar o bater do meu coração quando estavas agitada. Ouvimos o silêncio juntas, lemos vezes e vezes sem conta os livros de que mais gostavas, criei-te uma rotina securizante mas, mais importante de tudo, amei-te até ao infinito e mais além. Entraste depois na escola e foste uma filha exemplar, que nunca me deu problemas ou preocupações. És hoje uma mulher com valores morais que admiro, responsável, amiga, solidária, mas para mim serás sempre aquele bebé que me ensinou o que é o amor incondicional, o meu bebé. Parabéns, filha, sê feliz!





 
 


 

5 de setembro de 2014

A culpa é do amor



A nossa mente tem um lugar especial para o amor romântico, aquele que vemos nos filmes, lemos nos romances cor de rosa e ouvimos desde pequenos nas histórias de encantar, onde há princesas em apuros e príncipes salvadores que chegam de cavalo branco. Todo este imaginário colectivo aceita o amor como algo incondicional, íntimo e eterno. O divórcio, por outro lado, surge como algo conflituoso, doloroso e que envolve uma série de burocracias, advogados e papelada diversa e acarreta normalmente sofrimento e guerra.
Parece assim que a noção de amor, que se desenvolveu principalmente no ocidente, está relacionada com o aumento da taxa de divórcios. Se não, vejamos. Até ao ano de 1600 não se ouvia falar em divórcio porque a igreja católica influenciava a sociedade, os casamentos eram arranjados e normalmente permanentes, isto é, até que a morte os separasse, independentemente de situações de abuso, diferenças irreconciliáveis, faltas de respeito, relações extraconjugais ou qualquer outra coisa. Tudo era aceite e o casamento mantido até à morte de um dos conjugues. Este casamento eterno não tinha como base o amor mas interesses vários. Habitualmente o que unia duas pessoas eram interesses comuns, de família, materiais, religiosos, políticos ou outros que nada tinham a ver com sentimento e mesmo a relação sexual era vista como pecaminosa e afastada do prazer, servia, no casamento, apenas para procriar. Procurava-se estabilidade financeira, segurança e protecção e descendência. A mulher, como dona de casa, aceitava os devaneios (esses sim amorosos) do parceiro, e  não sofria com isso e nem lhe passava pela ideia contestar esse comportamento porque a expectativa que tinha do compromisso assumido no contrato de casamento era essa. O homem, providenciava habitação, alimento e segurança para toda a família e em troca podia e devia ter amigas e amantes e não devia qualquer explicação à esposa do que fazia, onde ía ou com quem ou quando voltava. Da mulher esperava-se que fosse prendada, boa dona de casa, que tivesse filhos e fosse boa mãe, que vivesse com recato e se desse ao respeito. Se ambos cumprissem o seu papel no acordo e como não havia falsas expectativas, tudo estaria bem, sem conflitos, mágoas, sofrimentos ou divórcio.


Até ao século 18 o amor romântico não foi incentivado sendo mesmo desaprovado entre os casais e o prazer sexual era pecado.
A partir do século 18 a igreja perde influência, a necessidade de manter as propriedades no seio familiar diminui e aparece o conceito amoroso de amor e é, então, que começam os divórcios. Primeiro de forma ainda muito ténue e não aceite socialmente até à generalização dos dias de hoje,  com uma taxa, em Portugal de 70%, em 2013.
Com o surgimento desse novo conceito de amor romântico, abundantemente difundido na literatura, as mulheres começam a pensar que se devem casar por amor e não por conveniência e nasce todo um novo conjunto de expectativas em relação ao casamento, expectativas essas que levam à insatisfação e frustração.
É irónico pensar que assim que o amor entra no casamento, a noção de casamento eterno torna-se irreal e inconsistente. O sentimento romântico é emocional e, como tudo que é emocional, é passível de mudança, tornando-se, assim, viável amar e desamar e voltar a amar a mesma pessoa ou outra. Assim, um casamento construído sobre uma base romântica estará sujeito à mutação de sentimentos tornando-se,  desta forma, solúvel.
É curioso pensar que quem defende o amor parece acreditar no casamento "para sempre" e quando reflectimos um pouco sobre o assunto, verificamos que foi o próprio amor que matou o casamento. Quando ele se baseava na religião, na terra, nos deveres familiares e sociais, era estável e agora que introduzimos a variante amor, abrimos a porta à instabilidade, à mutação de sentimentos, ao descontentamento e às falsas expectativas. Afinal, parece que  a culpa é do amor...

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