12 de outubro de 2016

Sonhar


Um dia uma criança chegou diante de um pensador e perguntou-lhe:
“Que tamanho tem o universo?”
Acariciando a cabeça da criança, ele olhou para o infinito e respondeu:
“O universo tem o tamanho do seu mundo.”
Perturbada, ela novamente indagou:
“Que tamanho tem meu mundo?”
O pensador respondeu:
“Tem o tamanho dos seus sonhos.”
Se seus sonhos são pequenos, sua visão será pequena, suas metas serão limitadas, seus alvos serão diminutos, sua estrada será estreita, sua capacidade de suportar as tormentas será frágil. Os sonhos regam a existência com sentido. Se seus sonhos são frágeis, sua comida não terá sabor, suas primaveras não terão flores, suas manhãs não terão orvalho, sua emoção não terá romances. A presença dos sonhos transforma os miseráveis em reis, faz dos idosos,  jovens, e a ausência deles transforma milionários em mendigos faz dos jovens idosos. Os sonhos trazem saúde para a emoção, equipam o frágil para ser autor da sua história, fazem os tímidos terem golpes de ousadia e os derrotados serem construtores de oportunidades. Sonhe!
– Augusto Cury –


Augusto Cury
 

5 de agosto de 2016

Plano de trabalho


Para implementar já.
"1. Faça o que é certo, não o que é fácil. O nome disso é Ética.
2. Para realizar coisas grandes, comece pequeno. O nome disso é Planejamento.
3. Aprenda a dizer 'não'. O nome disso é Foco.
4. Parou de ventar? Comece a remar. O nome disso é Garra.
5. Não tenha medo de errar, nem de rir dos seus erros. O nome disso é Criatividade.
6. Sua melhor desculpa não pode ser mais forte que seu desejo. O nome disso é Vontade.
7. Não basta iniciativa. Também é preciso ter 'acabativa'. O nome disso é Efetividade.
8. Se você acha que o tempo voa, trate de ser o piloto. O nome disso é Produtividade.
9. Desafie-se um pouco mais a cada dia. O nome disso é Superação.
10. Pra todo 'game over', existe um 'play again'. O nome disso é Vida".


2 de agosto de 2016

”O verdadeiro valor do anel”

 
Todos precisamos do amor e aprovação dos outros, mas muitas vezes vivemos apenas em função disso e se essa aprovação não chega sentimo-nos desmoralizados e sem préstimo. Esta história de Jorge Bucay pode ser um bom ponto de partida para uma reflexão mais profunda sobre isto.

É uma história sobre um rapaz que procurou um sábio em busca de ajuda

- Venho até cá, mestre, porque me sinto tão tacanho que não tenho vontade de fazer nada. Dizem-me que não presto, que não faço nada bem, que sou lento e estúpido. Como posso melhorar?Que posso fazer para que as pessoas me valorizem mais?
 O mestre, sem olhar para ele, disse: 
- Lamento muito, rapaz, mas não posso ajudar-te. Primeiro, tenho de resolver o meu próprio problema. Talvez depois…- E fazendo uma pausa, acrescentou:  - Se tu me quiseres ajudar, eu poderia resolver este assunto mais depressa e talvez depois te possa ajudar.  
- Com todo o prazer, mestre  - gaguejou o rapaz, sentindo novamente que estava a ser desvalorizado e que as suas necessidades eram adiadas.  
- Bom continuou o mestre, tirando um anel que trazia no dedo mindinho da mão esquerda. Dando-o ao rapaz, acrescentou:  - Pega no cavalo que está lá fora e vai ao mercado.Tenho de vender este anel porque preciso de pagar uma divida. Tens de obter por ele a maior quantia possível e não aceites menos do que uma moeda de ouro. Vai e volta com a moeda o mais depressa que puderes.

O jovem pegou no anel e partiu. Assim que chegou ao mercado, começou a oferecer o anel aos comerciantes, que o fitavam com interesse até o jovem dizer quanto queria por ele.

Sempre que o rapaz mencionava a moeda de ouro, alguns riam-se outros viravam-lhe a cara e só um velhinho foi suficientemente amável e se deu ao trabalho de lhe explicar que uma moeda de ouro era demasiado valiosa para ser trocada por um mero anel. Alguém, desejoso de ajudar, ofereceu-lhe uma moeda de prata e um recipiente de cobre, mas o jovem tinha ordens para não aceitar menos do que uma moeda de ouro e, como tal, rejeitou a oferta.  
Depois de oferecer a jóia a todas as pessoas que se cruzaram com ele no mercado, que foram mais de cem, e abatido pelo seu fracasso, o rapaz montou no cavalo e regressou para junto do sábio.  
Ele ansiava por uma moeda de ouro para entregar ao mestre e libertá-lo da sua preocupação, de modo a poder receber finalmente o seu conselho de ajuda.

Entrou no quarto do sábio.  
- Mestre – disse -, lamento muito. Não possível fazer o que me pedes. Talvez tivesse conseguido arranjar-te duas ou três moedas de prata, mas não creio conseguir enganar as pessoas quanto a verdadeiro valor do anel.  
- O que disseste é muito importante, meu jovem amigo – respondeu o mestre, sorridente. – Primeiro, temos de conhecer o verdadeiro valor do anel. Torna a montar no teu cavalo e vai ao ourives. Quem melhor do que ele para nos dizer o valor? Diz-lhe que gostavas de vender a jóia e pergunta-lhe quanto te dá por ela. Mas não importa o que ele te ofereça: não lho vendas. Volta com o meu anel.

O jovem tornou a cavalgar.  
O ourives inspeccionou o anel à luz da candeia, observou-o à lupa, pesou-o e respondeu ao rapaz: -Diz ao mestre, rapaz, que, se o quiser vender agora mesmo, não lhe posso dar mais do que cinquenta e oito moedas de ouro pelo seu anel.  
- Cinquenta e oito moedas?! – exclamou o jovem 
- Sim – replicou o ourives. – Eu sei que, com o tempo, poderíamos obter por ele cerca de setenta moedas, mas se a venda é urgente…

O jovem correu, emocionado, para casa do mestre, ansioso por lhe contar a novidade. 
- Senta-te – disse o mestre depois de o ouvir:  - Tu és como esse anel: uma jóia valiosa e única. E, como tal, só podes ser avaliado por um verdadeiro perito. Porque é que vives à espera que qualquer pessoa descubra o teu verdadeiro valor?

E, dito isto, tornou a pôr o anel no dedo mindinho da sua mão esquerda.

O primeiro passo é ser o seu próprio perito e valorizar-se convenientemente. Só depois disso pode e deve exigir a valorização alheia


29 de julho de 2016

Co dependência




Ser co dependente é manter uma dependência emocional a uma ou mais pessoas.
 
Algumas características comuns aos co dependentes: 
São em geral pessoas de natureza passiva/agressiva,
Oriundos de famílias emocionalmente perturbadas,
Desde a infância quiseram consertar as coisas que estavam erradas na vida dos outros à sua volta,
Predisposição para se responsabilizarem e culpar por problemas,
A sua personalidade está enraizada na vergonha “tóxica” (auto-conceito negativo), não são merecedores de confiança e amor,
Perfeccionistas,
Dependentes do “amor”, do elogio e da aprovação do outro,
Acreditam que sabem melhor (controlo) e que aguentam mais (tolerância à dor) do que os outros em determinadas situações e crises dentro da relação
Mentem para si mesmos, iludindo-se, afirmando  "Amanhã, as coisas estão melhores..."
Duvidas sobre a felicidade no futuro ou se algum dia encontram o verdadeiro amor
Sentem dificuldades em se relacionar com pessoas (intimidade e compromisso), em se divertir e ser espontâneas,
Alteração bruscas do humor. Entre um tipo de atenção carinhosa para uma pessoa deprimida e/ou agressiva
Com o passar dos anos vão se sentindo cada vez mais infelizes, deprimidos, ansiosos e isolados. Culpam o mundo à sua volta.
Distúrbio alimentar (bulímia, anorexia e compulsão alimentar), stress e fatiga crónico, desenvolvem outro tipo de adicção drogas lícitas, incluindo o álcool e os tranquilizantes (benzodiazepinas), e/ou ilícitas, shoplifting - furto, shopaholics - compras.

Esta doença do comportamento de uma forma genérica está associada ao abuso/negligência infantil. A co dependência afecta o indivíduo em cinco vertentes:
1- Baixa auto-estima;
2- Estabelecer de limites saudáveis nos relacionamentos de intimidade;
3- Reconhecer e assumir sua própria realidade disfuncional (negação e ilusão);
4- Assumir a responsabilidade em gerir as suas necessidades adultas (atitudes, emoções e comportamentos);
5- Identificar e expressar suas emoções de forma moderada (ex. raiva, ressentimento, medo, culpa e vergonha).

Em algumas famílias co dependentes o desenvolvimento das crianças é afectado porque o sistema familiar (homeostase) é caótico.

Em Portugal existem os grupos ajuda mutua, como por ex. grupos para famílias de alcoólicos onde se discute e apoia os familiares e pessoas significativas designados de (Famílias Anónimas e Al-Anon ).
Tal como em todas as adições é importante identificar padrões de comportamentos potenciadores de sofrimento a médio e longo prazo. Em muitos casos, já não é possivel interromper esta escalada de crises sistematicas e progressivas com promessas irreais e novos alibis, é preciso consultar um profissional experiente ou alguém significativo que consiga apoiar no processo de mudança (confiança e esperança) de um novo modos de vida.

Não é a mudança que é difícil, mas a nossa resistência à mesma

 
BibliografiaBeattie,Mellody – Vencer a Co-dependencia. Publicações Sinais de Fogo 2005
Cermak,T.L.- Diagnostic criteria for Codependency- Journal Of Psychoatctive Drugs. 18(1):15-20, 1986,
citado por Mellody , Pia.- Facing Codependence, Harper & Row, Publishers, San Francisco ,1989.
Mellody , Pia.- Facing Codependence, Harper & Row, Publishers, San Francisco ,1989.


27 de julho de 2016

David Sonboly - a culpa do psi


Ali Sonboly, o responsável pelo ataque desta sexta-feira em Munique, tinha 18 anos e era alemão de origem iraniana. Suicidou-se após matar nove pessoas, cinco das quais menores de idade.

Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/mundo/detalhe/divulgada_foto_do_terrorista_de_munique.html
Ali Sonboly, o responsável pelo ataque desta sexta-feira em Munique, tinha 18 anos e era alemão de origem iraniana. Suicidou-se após matar nove pessoas, cinco das quais menores de idade.

Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/mundo/detalhe/divulgada_foto_do_terrorista_de_munique.html
Ali Sonboly, o responsável pelo ataque desta sexta-feira em Munique, tinha 18 anos e era alemão de origem iraniana. Suicidou-se após matar nove pessoas, cinco das quais menores de idade.

Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/mundo/detalhe/divulgada_foto_do_terrorista_de_munique.html
Ali Sonboly, o responsável pelo ataque desta sexta-feira em Munique, tinha 18 anos e era alemão de origem iraniana. Suicidou-se após matar nove pessoas, cinco das quais menores de idade.

Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/mundo/detalhe/divulgada_foto_do_terrorista_de_munique.html
 

A história já é conhecida.
David Sonboly, um jovem de 18 anos, pega numa arma e mata indiscriminadamente várias pessoas suicidando-se de seguida. Em 2015, esteve dois meses internado numa instituição psiquiátrica, onde continuou a ser seguido enquanto paciente externo.
Ao que parece estava em tratamento psiquiátrico por ansiedade e depressão e tinha remédios em casa, mas não se sabe se os tomava.

As autoridades alemãs afirmam também que existe uma “relação óbvia” entre o atirador e o assassino norueguês, Anders Behring Breivik, que matou 77 pessoas a 22 de julho de 2011, há precisamente cinco anos. Durante as buscas feitas à casa onde vivia com os pais, a polícia encontrou no quarto do jovem recortes de artigos sobre ataques, um dos quais intitulado “Why do students kill?” (Por que razão os estudantes matam?)

Vivia obcecado por tiroteios destrutivos, visitou, no último ano, a cidade de Winnenden, onde em 2009 ocorreu um tiroteio numa escola, e tirou fotografias, revela a BBC. Nesta localidade, Tim Kretschmer, assassinou 15 pessoas do seu antigo colégio em 2009.

Foi vitima de bullying e ameaçou por diversas vezes os colegas de morte. 

É este o resumo de mais um ataque levado a cabo por alguém que estava a ser seguido em psiquiatria e que me leva a questionar o que terá falhado nesse seguimento, mas hoje não me vou focar no que eventualmente falhou porque não tenho dados suficientes para análise, mas  no que sente quem o seguiu. A dúvida que me invade é como é que alguém, técnico de saúde mental, sobrevive depois de um paciente seu cometer um acto deste tipo.  Que dúvidas, medos, inquietações o atormentam neste momento? Será que se sente em paz ou em conflito com as escolhas feitas? De que modo poderia ter alterado este sangrento desfecho?

Pensar que a responsabilidade é sua (ainda que não o seja, claro!) é o normal. Achar que não se fez tudo o que se podia ou que se se tivesse feito diferente teria tido melhor, também, mas a verdade, salvo algumas excepções, é que os profissionais de saúde mental, quando tomam uma decisão referente a medicação, internamento, diagnóstico, alta ou intervenção terapêutica, fazem-no em consciência e com imensa responsabilidade. Nada é feito de animo leve ou despreocupadamente exactamente porque toda e qualquer decisão comporta riscos e temos sempre de avaliar e antecipar as possíveis consequências. Lidamos com o Ser Humano na sua vertente mais desconhecida, com especificidades e loucuras diferentes, com vontades e descontrolos, impulsos e zangas, recalcamentos e frustrações, com mágoas profundas que mal geridas têm infelizmente resultados desastrosos e, por isso, acredito que os meus colegas são conscienciosos e profissionais como lhes é exigido. Lidamos com a vida e a morte e ter essa consciência é fundamental para termos o máximo cuidado naquilo que fazemos

Saber que se fez tudo o que se podia, não descarta a culpa e o remorso. O questionamento e a dúvida permanente devem fazer parte do nosso dia a dia. Acompanhar os doentes é um desafio e lidar com as consequências dessa intervenção é um desafio acrescido. Se o primeiro é muitas vezes partilhado por uma equipa multidisciplinar, o segundo é vivenciado e gerido individualmente. É também por isto que esta é uma profissão de intenso desgaste emocional